Como está sendo a aceitação dos Contabilistas à adoção dos IFRS?
Em geral muito boa. A maioria dos profissionais está ciente de que se quisermos fazer parte de uma economia de primeiro mundo, precisamos ter um sistema de Contabilidade de primeiro mundo. Mesmo aqueles que foram críticos do processo de harmonização em sua origem, hoje já estão debatendo os efeitos da adoção do IFRS (International Financial Reporting Standards) na Contabilidade brasileira. O foco mudou: o processo é inevitável. As críticas genéricas estão dando lugar a comentários formais e participativos aos órgãos responsáveis pela emissão dos normativos contábeis. Não é fácil elaborar um conjunto de princípios contábeis de aceitação internacional. As adaptações, principalmente culturais, precisam ser trabalhadas e, para isso, é necessário colaborar no processo de elaboração das normas e não somente após a sua emissão. É preciso influenciar no processo, buscando a melhor técnica possível, considerando a relação custo benefício, sem se deixar levar por interesses particulares. Estamos, sem dúvida, no momento mais importante da Contabilidade da era moderna e entendo que a maioria dos Contabilistas já percebeu isso e não quer ficar de fora.
O senhor acha que os profissionais estão preparados adequadamente para aplicar as Normas Internacionais de Contabilidade?
Eu diria que uma parte importante dos Contabilistas já está, se não pronta, muito próxima de estar. Isto é fato, especialmente aqueles que prestam serviços a companhias abertas e multinacionais, principalmente grupos europeus. O salto que está sendo dado na Contabilidade brasileira é grande. Não se faz da noite para o dia, especialmente quando junto com mudanças de práticas contábeis temos outras mudanças fundamentais em nosso dia a dia, como é o caso do Sped e Nota Fiscal Eletrônica. Não é necessário saber tudo, mas é preciso ter ideia das áreas das empresas que estas mudanças afetam. O número de publicações em português sobre o tema está cada vez maior. Também com a emissão dos novos Pronunciamentos Técnicos do CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis), espelhados no IFRS, a Contabilidade brasileira passa a incorporar em sua rotina esses novos conceitos. É uma mudança grande e que deve estar consolidada em três ou quatro anos. Em muitos casos, como das companhias abertas e instituições financeiras, esta adaptação tem que ser mais rápida. Nas demais, acredito que a incorporação dos princípios internacionais ocorrerá no médio prazo. É importante destacar que o próprio IASB reconhece a complexidade da adaptação e emitiu um IFRS especialmente aplicável a empresas de pequeno e médio portes, com responsabilidade pública menor, por exemplo, se comparada com uma companhia aberta, um banco ou fundo de investimento. Este novo IFRS para pequenas e médias empresas tem o objetivo de facilitar ainda mais o processo de implementação de um padrão internacional de Contabilidade em um país. Este é um importante passo para preparar e inserir também o Contabilista das pequenas e médias empresas nesta nova onda contábil.
E os cursos de Ciências Contábeis, estão fazendo a sua parte?
Os princípios básicos da Contabilidade não sofreram grandes mudanças. A estrutura conceitual básica, que é uma parte substancial e importante dos cursos de Ciências Contábeis, embora tenha sido revista, teve, em essência, poucas mudanças. A emissão de pronunciamentos contábeis alinhados com a Norma Internacional afeta principalmente as matérias mais específicas, que são tratadas no curso de Ciências Contábeis, mas são mais detalhadas em cursos de especialização. As grades e conteúdos programáticos dos cursos de Ciências Contábeis estão sendo revistos para incorporar o novo conjunto de pronunciamentos contábeis brasileiros e irão, sem dúvida, acomodar, ainda melhor, a matéria que trata de Normas Internacionais de Contabilidade. Um Contador não se forma em um ano. É necessário um tempo de maturação e trabalho de campo. Os profissionais que já completaram os cursos superior e técnico em Ciências Contábeis e aqueles que estão muito próximos de fazê-lo devem estar atentos para a importância da Educação Continuada. Só ela garante a manutenção e atualização do conhecimento adquirido nestes cursos.